10 de setembro de 2025
Nike versus Adidas: A batalha por Buenos Aires
Em 24 de agosto 2025, a Meia Maratona de Buenos Aires se tornou o palco de uma disputa inusitada entre gigantes do esporte.
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A Adidas, patrocinadora oficial do evento, estava em todas as partes "legais": nas camisetas, na feira de kits e na estrutura. Mas, na prática, a Nike foi a marca que dominou o cenário e o coração dos atletas.
A tomada da cidade
A Nike se instalou na capital argentina, colorindo as ruas de laranja e preto desde o começo. A ousadia da marca começou com a tomada de um dos símbolos da cidade, a Faculdade de Direito. O prédio foi transformado em um outdoor monumental com a frase "Não vai ser fácil, mas vai ser épico". Música, dançarinos e uma multidão vibrante criaram uma atmosfera de pré-corrida tão poderosa que os corredores paravam para registrar o momento.
A presença da Nike foi massiva e crescente. A cada quilômetro, o percurso era pontuado por mensagens de incentivo que pareciam dialogar diretamente com o sofrimento e a superação dos atletas. Frases como:
"Você não correu até aqui só para chegar até aqui"
"Agora é tudo cabeça"
"A linha de chegada não vai vir te buscar"
"Não reclame, todo mundo sente dor"
Enquanto a Adidas não colocou uma única mensagem no percurso para os mais de 27.000 participantes, a Nike transformou o trajeto em um corredor de motivação. Na região do Obelisco, a marca criou um festival de cores e energia com animadores e bandeiras, mostrando que a experiência ia muito além do OOH tradicional. Era branding experiencialem escala épica.
Apoio, não patrocínio
A estratégia foi ainda mais profunda. Torcidas com camisetas Nike, espalhadas pelo percurso, gritavam "fuerza" e batiam na mão dos corredores, injetando energia real. Nos 3 km finais, a Nike teve a jogada de mestre: staff da marca correu junto com os atletas, oferecendo apoio moral e frases de incentivo em um dos momentos mais difíceis da prova.
O ápice dessa ousadia foi o campeão, Jacob Kiplimo, quebrando o recorde sul-americano e cruzando a linha de chegada vestido 100% de Nike. Foi o troféu do awareness e do recall emocional que a marca conquistou sem gastar um centavo em patrocínio. Não havia produto, não havia venda, apenas apoio.
Uma jogada de mestre ou desleal?
A estratégia da Nike dividiu o público. Para alguns, foi uma falta de respeito com o patrocinador oficial. Para outros, uma demonstração de marketing arrojado e genial.
A verdade é que a Adidas focou na experiência protocolar, cumprindo o contrato. Já a Nike focou na experiência emocional, investindo na conexão humana e no espírito da corrida. A Nike não patrocinou, mas foi a marca que os corredores se lembraram e comemoraram.
No marketing, qual estratégia se destaca mais: a que segue as regras ou a que faz as suas próprias?